Nunca me senti à vontade pra escrever coisas sobre mim mesma. Não acho legal que todo mundo saiba o que se passa pela minha cabeça e pelo meu coração. Não assim, por meio das palavras. Mas é que hoje eu, sinceramente, senti uma vontade doida de escrever um bilhão de caracteres só pra ver se o que está preso na garganta salta fora, de uma vez por todas.
É que às vezes o mundo começa a girar na velocidade da luz e eu, sinceramente, fico meio enjoada com altas velocidades. O fato é o terceiro ano tem mexido muito comigo. Na verdade, eu acho mesmo que o fator principal não é bem ser terceiranista, mas ter mudado de escola exatamente nessa última fase. E ter conhecido as pessoas que conheci, feito os amigos que fiz, estudar hard como estudei, ter tido os professores que tive, vivido os momentos que vivi me fez, sem dúvida, alguém bem diferente. Alguém melhorada, graças a Deus! :D E o que vejo hoje no espelho não é aquela mesma adolescente de um ano atrás. Sinto um certo peso nos meus ombros e percebo que daqui há alguns (pouquíssimos) meses eu vou estar num banco de faculdade ouvindo alguém falar das leis da Roma e da Grécia antiga, ditando pra que eu copie o Artigo nº 45 do Estatuto do Idoso, ou qualquer coisa que o valha. E isso me parecia ainda tão distante! A ficha cai e eu percebo que esse imenso ciclo que eu iniciei aos dois anos e meio termina (pelo menos cerimonialmente falando) daqui há 3 dias!
E em meio a esse turbilhão de coisas e de sentimentos que elas fazem emergir, eu me vejo meio boba frente a novas sensações. Vou deixar que as coisas corram soltas. Bem soltas.
Ps.: É incrível o impacto que as palavras têm em mim. Acho que é porque eu gosto muito delas e, principalmente, de como as pessoas as pronunciam e de como dão uns e outros ritmo à elas. Tipo um sussuro em meio a palavras apressadas e exaltadas.
"Pára com isso, Rafaela."
sábado, 31 de outubro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
E o tempo vai passando displicentemente, sem ouvir os meus gritos de desespero. Não me ouviu pedir pra que maneirasse no apressado passo. Não prestou atenção nas minhas súplicas, nas minhas orações, nos meus pedidos. Passou e levou consigo o estável chão sob os meus pés. Seguiu rasgando tudo e me deixando cada vez mais afogada no lago estreito e profundo da aflição. Falta pouco tempo pro final dessa etapa, e o medo vai se aproximando lentamente. O calafrio, o bater de pernas, a impaciência. O negócio é arregaçar as mangas e aproveitar o pouco tempo que ainda me resta.
"Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio..."
"Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio..."
sábado, 9 de maio de 2009
Without mean.
Saudade
[Do lat. solitate, ‘soledade’, ‘solidão’, pelo arc. soydade, suydade, poss. com infl. de saúde.]Substantivo feminino 1.Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.
Veja só, ela tem um significado concreto! Mas bem como tantos outros sentimentos, é querer demais defini-la. Talvez porque a palavra é bonita demais, é sonora, e esconde por trás dela toda a sensação angustiante e peculiar. Saudade de um tempo vivido, de uma pessoa amada, de um momento em especial. O fato é que saudade é falta. É o que se estende por todo o interior preenchendo de vazios o coração. E a minha saudade é de todo o conjunto. A minha saudade é culpa do tempo que teima em passar mais rápido do que eu julgo necessário. Que leva com ele a época mais feliz da minha vida. O mais estranho, é que é comum. E acima de tudo, é necessário. É bom, até, que se tenha a saudade pra valorizar o que está passando por entre os dedos. A minha saudade é antecipada, é sutil. E por ser impalpável, delicada, engenhosa, atinge em cheio como uma flecha e contamina todos os pensamentos com um sentimento de pesar e de ausência. E a ausência torna o coração mais amante e mais preparado pro que está por vir. Obrigada, saudade.
"Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo... " Mário Quintana.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Passou a mão sobre a foto e retirou a poeira que deitava preguiçosa sobre ela. Talvez aquilo estivesse ali guardado há uns seis meses. Ou quem sabe, já fazia um ano. Continuou acariciando o papel e reparou no quanto ele ainda brilhava. Contornou o largo sorriso de quem estava na foto, ali, abraçados como já não faziam há tanto tempo. E como adorava aquele sorriso. Ficou pensando em como as coisas podiam, mas não deviam, mudar tão rápido sem esperar que ao menos pudesse acompanhar seus passos. Como o tempo passou correndo desesperado em sua frente e só lhe fora permitido enxergara um vulto. O que estava ali na fotografia não era a imagem de pessoas felizes. Eram as cores e os tantos motivos que enchiam aquela imagem e transbordavam. E eram tão intensos e extensos que pingavam no chão tingindo de saudade aquele quarto. O vazio que estava acomodado ali há tanto tempo, saiu do recinto revoltado com todos aqueles sentimentos que erguiam-se irreprimíveis, livres e sutis de volta ao seu coração.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Seus olhos se abriram, mas ela talvez gostasse mais do contrário. Mesmo porque as nuvens serviam de cobertor para um céu que escondia o sol e que àquela altura já havia derramado infinitas gotas de chuva. O frio entrava pela janela e penetrava sua pele. Corria pelas veias e chegava ao coração que já estava congelado a um certo tempo. Resolveu que não sairia de casa. Assim, não correria o risco de encontra-se com ele, assim, por acaso. Era cedo demais, ela pensava. Cedo demais pra colocá-lo novamente em seus primeiros pensamentos do dia. Ela não queria que aquela manhã fosse diferente das outras. Não seria justo que sua cabeça fosse novamente palco para aquilo que há muito lembrava tentando esquecer. Não, não pensaria em mais nada. Resolveu, então, que permaneceria ali onde estava. Deitada. Coberta. Aquecida. E começava a ficar tão quente que o seu coração, aquele frio como gelo, derretia. Uma risada e um aroma tão conhecido surgiam em sua cabeça. O vento parou de entrar no quarto e o clima tornou-se abafado. Aquele dia no parque, aquela estrela que ele lhe dera, aquele amor do tamanho do céu que lhe prometera. Podia escutar os seus passos, igual a quando ele chegava devagarinho pra lhe pregar um susto. Ela só fingia assustar-se. O quarto estava mesmo quente. Retirou a coberta e as meias. Sentou-se na cama. O sol finalmente aparecera. E o coração estava praticamente derretido. Ele era mesmo tão engraçado. Suas palavras eram realmente tão doces e acertavam em cheio os seus sentimentos. Era tarde, ela pensou. Tarde demais pra que tais conclusões fossem feitas por aquele coração medíocre que passou tanto tempo hibernando em uma calota polar. As coisas giravam, as cores ganhavam nova e viva tonalidade. Haviam sorrisos e gargalhas a sua volta. Era dia de festa?
- Vem, vamos sair pra ver o sol. - disse ele.
Sim, era ele.
“Distante de ti, em minha imaginação vejo teus olhos criarem saudades em mim"
Elanklever
- Vem, vamos sair pra ver o sol. - disse ele.
Sim, era ele.
“Distante de ti, em minha imaginação vejo teus olhos criarem saudades em mim"
Elanklever
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