A verdade é que por um certo (talvez longo) tempo eu fui imatura demais. Eu. Logo eu, que sempre pensei que tivesse idéias muito adiantadas para minha idade, por assim dizer. Eu que sempre me considerei muito precoce. Percebo, enfim, essa feliz inocência que a maturidade chegou. Quando se percebe que na realidade o seu umbigo não é, e nunca será, o centro do mundo. Bem na hora que o mundo só não desabou na sua cabeça, porque você correu de medo. Justo quanto o que era fato tornou-se mera lembrança. É estranho adimitir que fui boba. Confundi as palavras, não entendi o que o coração queria dizer. Talvez eu ainda não tivesse aprendido o seu idioma. Sei que troquei as bolas e pisei na mesma. Falei, e conseqüentemente, ouvi o que não queria. E como eu fui tão... O mais engraçado, eu acho, é relembrar todos esse momentos em que fui tão criança. A vergonha assola os pensamentos, e me faz afastá-los o mais rápido que eu sou capaz. E como eu sou capaz. Descobri, e isso veio no mesmo barco da maturidade, que não só existem mais coisas entre o céu e a terra, como há muito mais sentimentos e emoções entre o coração e a razão. Cai na real. Nada é perfeito, e em alguns casos, a única forma de se acalmar é a aceitação. Os abraços, aqueles não dados, as palavras, aquelas não ditas, as declarações, aquelas não feitas, passaram do ponto. E como eu gostaria que fosse diferente. Descobri que o amor é variável, Platão que me perdoe! Que pode-se amar de várias maneiras, em várias intesidades. E que atire a primeira pedra quem nunca confundiu as coisas. Está tudo claro agora. Me refiro aos pensamentos. Porque o dia, junto a infância, já está chegando ao fim.
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