sábado, 9 de maio de 2009

Without mean.

Saudade
[Do lat. solitate, ‘soledade’, ‘solidão’, pelo arc. soydade, suydade, poss. com infl. de saúde.]Substantivo feminino 1.Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia.

Veja só, ela tem um significado concreto! Mas bem como tantos outros sentimentos, é querer demais defini-la. Talvez porque a palavra é bonita demais, é sonora, e esconde por trás dela toda a sensação angustiante e peculiar. Saudade de um tempo vivido, de uma pessoa amada, de um momento em especial. O fato é que saudade é falta. É o que se estende por todo o interior preenchendo de vazios o coração. E a minha saudade é de todo o conjunto. A minha saudade é culpa do tempo que teima em passar mais rápido do que eu julgo necessário. Que leva com ele a época mais feliz da minha vida. O mais estranho, é que é comum. E acima de tudo, é necessário. É bom, até, que se tenha a saudade pra valorizar o que está passando por entre os dedos. A minha saudade é antecipada, é sutil. E por ser impalpável, delicada, engenhosa, atinge em cheio como uma flecha e contamina todos os pensamentos com um sentimento de pesar e de ausência. E a ausência torna o coração mais amante e mais preparado pro que está por vir. Obrigada, saudade.
"Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo... " Mário Quintana.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Passou a mão sobre a foto e retirou a poeira que deitava preguiçosa sobre ela. Talvez aquilo estivesse ali guardado há uns seis meses. Ou quem sabe, já fazia um ano. Continuou acariciando o papel e reparou no quanto ele ainda brilhava. Contornou o largo sorriso de quem estava na foto, ali, abraçados como já não faziam há tanto tempo. E como adorava aquele sorriso. Ficou pensando em como as coisas podiam, mas não deviam, mudar tão rápido sem esperar que ao menos pudesse acompanhar seus passos. Como o tempo passou correndo desesperado em sua frente e só lhe fora permitido enxergara um vulto. O que estava ali na fotografia não era a imagem de pessoas felizes. Eram as cores e os tantos motivos que enchiam aquela imagem e transbordavam. E eram tão intensos e extensos que pingavam no chão tingindo de saudade aquele quarto. O vazio que estava acomodado ali há tanto tempo, saiu do recinto revoltado com todos aqueles sentimentos que erguiam-se irreprimíveis, livres e sutis de volta ao seu coração.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Seus olhos se abriram, mas ela talvez gostasse mais do contrário. Mesmo porque as nuvens serviam de cobertor para um céu que escondia o sol e que àquela altura já havia derramado infinitas gotas de chuva. O frio entrava pela janela e penetrava sua pele. Corria pelas veias e chegava ao coração que já estava congelado a um certo tempo. Resolveu que não sairia de casa. Assim, não correria o risco de encontra-se com ele, assim, por acaso. Era cedo demais, ela pensava. Cedo demais pra colocá-lo novamente em seus primeiros pensamentos do dia. Ela não queria que aquela manhã fosse diferente das outras. Não seria justo que sua cabeça fosse novamente palco para aquilo que há muito lembrava tentando esquecer. Não, não pensaria em mais nada. Resolveu, então, que permaneceria ali onde estava. Deitada. Coberta. Aquecida. E começava a ficar tão quente que o seu coração, aquele frio como gelo, derretia. Uma risada e um aroma tão conhecido surgiam em sua cabeça. O vento parou de entrar no quarto e o clima tornou-se abafado. Aquele dia no parque, aquela estrela que ele lhe dera, aquele amor do tamanho do céu que lhe prometera. Podia escutar os seus passos, igual a quando ele chegava devagarinho pra lhe pregar um susto. Ela só fingia assustar-se. O quarto estava mesmo quente. Retirou a coberta e as meias. Sentou-se na cama. O sol finalmente aparecera. E o coração estava praticamente derretido. Ele era mesmo tão engraçado. Suas palavras eram realmente tão doces e acertavam em cheio os seus sentimentos. Era tarde, ela pensou. Tarde demais pra que tais conclusões fossem feitas por aquele coração medíocre que passou tanto tempo hibernando em uma calota polar. As coisas giravam, as cores ganhavam nova e viva tonalidade. Haviam sorrisos e gargalhas a sua volta. Era dia de festa?
- Vem, vamos sair pra ver o sol. - disse ele.
Sim, era ele.

“Distante de ti, em minha imaginação vejo teus olhos criarem saudades em mim"
Elanklever

quarta-feira, 29 de abril de 2009

pedacinhos

As pessoas se surpreendem quando descobrem que eu não sou tão séria assim. Mas antes disso, sou chata mesmo. Por isso não acho certo que primeiras impressões permaneçam. Não faço amigos facilmente, e talvez seja por isso que a maioria das minhas amizades já tem quase a metade da minha idade. Às vezes a nostalgia me visita. Tenho uma sina com números repetidos, mas nada que me incomode muito. Tenho medo de escuro e meu amigo o potencializa. Adoro segredo e chocolate. Não gosto de números decimais, gente fria, silêncio e música em inglês. Sou taurina, mas não ligo pro zodíaco. Difícil, orgulhosa e bem indelicada, mesmo sem querer. Acordo cedo no fim de semana. Também acredito em exceções. Costumo pensar antes no que eu digo. Minhas ações são, em geral, premeditadas. Ensaio reclamações. Somos seis, independente de tudo e de todos. Não tenho muita disciplina e sou metódica. “Silêncio tapa buracos.“Meus amigos e a minha família, prefiro sempre colocá-los antes de mim. Quero que as coisas aconteçam exatamente como eu imagine, mas nunca trabalho pra isso. Acho muita coisa uma porcaria, mas não digo. Deixo as coisas pra cima da hora. Integrante de um grupo de jovens católicos. Sou obediente ao extremo. Cria de pais que têm fé e que são exemplo pra muita gente. Irmã, num plural. Amo música e fotografia. Quero agradar sempre, é fato. Guardo tudo numa caixa e tenho vergonha pelos outros. Nunca acreditei muito que o tempo fosse remédio para todos os males. Sou crítica, presto atenção na conversa alheia e sou sensível. Sei ser carinhosa, amável, amiga. Sei sim. Gosto de escrever. Não sei. Sou chorona, e a minha amiga me regula. Conheço minha capacidade. Sou careta e minha idade psicológica deve ser o triplo da física. Gosto de abraço. É que as palavras nem sempre resolvem. Recuso-me a muita coisa. Não sei separar muitas delas. Faço, refaço. E faço de novo se achar necessário. Tenho muita coisa, nenhuma delas nunca me faltou. Coisas do mundo. Coisas comuns. Mutáveis, findas. Mas a sensibilidade, os sentimentos e as sensações ficam. Pra sempre, por mais que eu saiba que esse tempo não conjuga verbo nenhum.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Caindo na real

A verdade é que por um certo (talvez longo) tempo eu fui imatura demais. Eu. Logo eu, que sempre pensei que tivesse idéias muito adiantadas para minha idade, por assim dizer. Eu que sempre me considerei muito precoce. Percebo, enfim, essa feliz inocência que a maturidade chegou. Quando se percebe que na realidade o seu umbigo não é, e nunca será, o centro do mundo. Bem na hora que o mundo só não desabou na sua cabeça, porque você correu de medo. Justo quanto o que era fato tornou-se mera lembrança. É estranho adimitir que fui boba. Confundi as palavras, não entendi o que o coração queria dizer. Talvez eu ainda não tivesse aprendido o seu idioma. Sei que troquei as bolas e pisei na mesma. Falei, e conseqüentemente, ouvi o que não queria. E como eu fui tão... O mais engraçado, eu acho, é relembrar todos esse momentos em que fui tão criança. A vergonha assola os pensamentos, e me faz afastá-los o mais rápido que eu sou capaz. E como eu sou capaz. Descobri, e isso veio no mesmo barco da maturidade, que não só existem mais coisas entre o céu e a terra, como há muito mais sentimentos e emoções entre o coração e a razão. Cai na real. Nada é perfeito, e em alguns casos, a única forma de se acalmar é a aceitação. Os abraços, aqueles não dados, as palavras, aquelas não ditas, as declarações, aquelas não feitas, passaram do ponto. E como eu gostaria que fosse diferente. Descobri que o amor é variável, Platão que me perdoe! Que pode-se amar de várias maneiras, em várias intesidades. E que atire a primeira pedra quem nunca confundiu as coisas. Está tudo claro agora. Me refiro aos pensamentos. Porque o dia, junto a infância, já está chegando ao fim.